O impacto na vida de jovens e adolescentes que se tornam pais muito cedo
Quando a idéia de ter um filho se torna uma realidade na vida do jovem, o impacto da responsabilidade é grande, tanto na vida das mulheres como na dos homens. Apesar de a sociedade sustentar a teoria de que a gravidez precoce pode causar danos psicológicos nas jovens mães, ambos sentem o peso deste fato e, mesmo que seja de forma diferente, os rapazes também sofrem com as dúvidas e ansiedades que a paternidade os faz encarar.

Embora se saiba que é grande o número de homens que se tornaram pais muito cedo, é difícil ter uma dimensão desses dados, pois, até hoje, os centros de pesquisa, até mesmo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem o hábito de entrevistar meninas adolescentes para saber se elas já são mães, mas não calculam a dimensão do número de pais na faixa entre 16 e 21 anos e, por isso, não é possível obter uma estatística oficial do índice de jovens pais no país.

Uma pesquisa feita pelo Instituto Papai, de Recife, calcula que entre as adolescentes que são mães no Brasil, de 55 a 60% delas tiveram filhos com meninos menores de 19 anos. De acordo com o IBGE, atualmente mais de 1,2 milhão de adolescentes são mães no país, o que significa que o número de pais adolescentes deve chegar a cerca de 700 mil. A pesquisa feita em Recife colheu, em junho de 2006, dados de 384 prontuários de crianças menores de um ano, na USB Jd. Três Corações, e concluiu que destes meninos e meninas, nove eram filhos de garotos entre 15 e 19 anos e 262 eram filhos de rapazes de 20.

Apesar de a paternidade ser uma atividade prazerosa e motivo de orgulho para muitos homens, quando o fato de ser pai se torna uma realidade na fase da juventude, é comum que os rapazes sejam vistos como irresponsáveis pela própria família e até mesmo pelos amigos. O estudante Sandro César sabe bem o que é isso. O rapaz tem apenas 15 anos de idade, ainda é sustentado pelos pais, mas já é pai da menina Ana Clara, de 9 meses, e está prestes a ganhar outro herdeiro, fruto de sua união com a adolescente Cristina, de 17 anos, que está grávida de 3 meses. Ele conta que não é fácil encarar o preconceito da sociedade. “Muitas pessoas me censuram pelo fato de eu ter assumido essa responsabilidade tão cedo. Freqüentemente sou alvo de críticas quando falo da minha vida”.

Realmente, encarar responsabilidades não é fácil, principalmente na fase em que a diversão e o desejo de ‘curtir’ a vida parecem ser fundamentais. Se já não é fácil para um jovem ter que se preocupar com estudos, trabalho e ainda com os planejamentos do futuro, imagine, então, o que dizer daqueles que se deparam com a tarefa de ter que lidar com tudo isso e também com a criação de uma nova vida que se inicia? Muitos se sentem perdidos, e é nessa hora que o peso da responsabilidade se faz presente. E se o jovem não estiver bem estruturado, a situação se torna ainda mais complicada.

Para muitos rapazes, estar bem estruturado significa manter-se estabilizado financeiramente, mas apesar de o dinheiro ser muito importante, não é só isso que garante a boa criação de uma criança. O baterista Thiago Caribé afirma que passou por muitas dificuldades quando, com apenas 21 anos de idade, teve que assumir a responsabilidade de criar um filho. Segundo ele, os problemas financeiros foram grandes, mas o fato de ter que se equipar emocionalmente e dar um bom exemplo para o menino Davi foi o que mais pesou. “Como eu perdi meu pai muito cedo, com apenas 12 anos, nunca tive um exemplo masculino dentro de casa, e essa orientação paterna foi o que mais me fez falta na hora de encarar esta nova jornada”.

Atualmente, Thiago está com 27 anos e garante que fez muitos progressos em relação à sua maturidade. “Hoje vejo o quanto eu e minha esposa éramos jovens e ainda não havíamos amadurecido. Precisei muito do auxílio de Deus para aprender a lidar com o fato de ser pai”, declara o rapaz, que também pôde contar com o apoio da família para encarar o desafio. “Minha mãe nos ajudou muito, tanto financeiramente como nos cuidados com o bebê, já que, mesmo sendo maior de idade, eu ainda era sustentado por ela”.

Orientação de Deus e apoio da família são fundamentais

Mesmo com as barreiras financeiras e emocionais, ter filhos é sempre uma alegria. A Bíblia diz que “os filhos são herança de Deus” (Sl 127.3) e embora a falta de preparo psicológico e a ausência de maturidade sejam desafios difíceis de ser encarados pelo jovem, a satisfação de estar perto da criança e saber que ela é uma dádiva, é o que, na maioria das vezes, motiva os rapazes a encarar as responsabilidades e lutar pelos seus ideais.

Thiago é um exemplo disso. Ele conta que logo quando descobriu que seria pai, não tinha como se manter, nem mesmo havia perspectivas com relação à sua vida profissional. Entretanto, apesar das dúvidas e dificuldades, obteve, através do Davi, forças para lutar e construir um lar saudável, debaixo da orientação de Deus.

E quando Deus se faz presente, até mesmo as situações mais complicadas se tornam bênçãos na vida dos cristãos. Embora seja uma árdua tarefa, ser um jovem pai também tem suas compensações. Uma delas é descrita, com orgulho, por Thiago: “Tenho certeza que um pai com mais de quarenta anos não tem disposição para brincar com o filho como eu”, graceja o rapaz.

No caso de Sandro, a situação é ainda mais interessante. Quando o rapaz estiver com 30 anos, seus filhos estarão na faixa dos 15, fato que pode gerar um estreitamento ainda maior em seus relacionamentos, já que o conflito de gerações não será muito grande. Porém, independentemente da muita ou pouca idade, o fato é que a relação entre pais e filhos deve ser sempre saudável, e ela só será construída se o rapaz estiver disposto a assumir suas responsabilidades. Como diz o próprio Sandro: “O importante é aproveitar cada momento ao lado dos meus filhos e ser o melhor pai para eles”.

Fonte: Elnet Jovem

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