Cintia Aragão Kaneshigue (no Japão)

Hachimore, Aomori. Após terremoto ocorrido no ano passado, em 15 de julho, na mesma região em que ocorreu neste mês de março de 2011, por volta das 6 da manhã posto de gasolina, recebe fila de automóveis que superava  500 metros de comprimento.
“Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados. Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos” – 2 Co. 4.8, 9.
Hoje 17 de março, as notícias em relação aos desabrigados são animadoras. O aeroporto de Sendai (uma das cidades mais castigadas pelo terremoto e tsunami) seria liberado para pousos de aviões de grande porte, o que possibilitou o Ministério da Agricultura afirmar que irá mover-se rapidamente para abastecer 1,5 milhões de refeições e 1.250 mil litros de água por dia nos abrigos. As Forças de Defesa irão ajudar a fornecer as refeições.
Uma grande rede de postos de gasolina, o Idemitsu, afirmou a reabertura de uma unidade próxima a cidade de Sendai, cerca de 4 horas, a fim de suprir o abastecimento de combustível na região, possibilitando a maior locomoção dos sobreviventes e também o aquecimento dos abrigos através de aquecedores a base de querosene, comumente utilizado aqui no Japão.
Infelizmente com o que se diz respeito à usina nuclear Fukushima daiichi (leia-se dai iti) as notícias não são boas. As autoridades japonesas ainda não conseguiram dominar a situação. As tentativas de resfriar os reatores através de água do mar lançadas com helicópteros não foi bem sucedida. Depois de alguns lançamentos de água a operação foi cancelada devido a alta quantidade de radiação. No período da tarde as autoridades tomaram um outro rumo e decidiram jogar água por solo, através de caminhões pipa, a fim de estabilizar a temperatura dos reatores. A companhia responsável pela usina está tentando também reestabelecer o fornecimento de energia nas instalações para que consigam um melhor desempenho na tarefa de dominar novamente os reatores nucleares.
Ainda assim o governo nos informa que não há ainda que se temer danos à saúde, pois os níveis de radiação medidos num raio superior a 30 km, é significantemente maior do que o normal, mas não apresenta risco à saúde.A população ainda está muito aflita com esta situação.
A nossa embaixada brasileira realizou uma opreção de resgate aos compatriotas residentes nas áreas afetadas pelo terremoto e tsunami, como também aos que moram nas proximidades da usina nuclear, resgatando 25 pessoas, o consul afirmou que possivelmente poderá ser realizada outra operação semelhante a essa.
A comunidade brasileira em sua maioria está muito apreensiva com a situação nuclear. Os consulados estão apresentando um fluxo muito acima do normal de pessoas querendo regularizar e retirar passaportes. A imigração japonesa também informou uma procura muito grande de estrangeiros buscando o seu re-entry (documento de viagem que possibilita viajar sem perder o visto que se tem). O aeroporto de Narita informou que uma grande quantidade de brasileiros se aglomerava, em busca de passagens aéreas nos balcões das companhias e informou que não há mais passagens disponíveis sem reserva.
Aprendamos também com o povo japonês, que tenho admirado cada dia mais com a sua reação em meio a tragédia. Pessoas que perderam tudo quanto possuíam, bens e parentes, passando necessidade, com falta de quase tudo, comendo uma vez por dia, um bolinho de arroz (onigiri),e ainda assim, educados, sem bagunça, tentando ordenar tudo em filas, e agradecendo sempre que são entrevistados.
As operadoras de celulares estão enviando caminhões com antena para as regiões que as antenas fixas foram danificadas. Me emocionei muito ao ver duas meninas falando com o pai ao celular, ele dizia que iria buscá-las assim que possível e elas choravam muito.
O repórter perguntou a um senhor num abrigo de Sendai se dois onigiris eram suficiente para ele, ao que o senhor repondeu que ele não estava pensando nisso, mas que os que sobreviveram não podiam ser egoístas e manterem pensamentos individualistas, mas sim pensarem como parte de um todo que precisa dividir o que tem para se manterem vivos.
Que lição estamos aprendendo com eles, quem dera todo o cristão tivesse coração solidário e disposto como o japonês. Sem julgar os motivos e permissões de Deus para tal catástrofe, estamos neste lugar, nesta hora porque o Senhor nos colocou aqui, para ajudar sim, mas também para aprender mais e mais através de toda essa situação.
“Mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita, mas não chegará a ti.” – Salmo 91.7.
Da parte das igrejas brasileiras, não sinto essa apreensão tão grande, claro que todos tememos por uma catástrofe nuclear, mas depois da crise financeira que enfrentara, a igreja aprendeu a ser mais dependente do Senhor, e vejo uma movimentação muito grande de oração e intercessão pela nação e pela situação da usina, e também de solidariedade aos necessitados do nordeste do país.
Até agora estamos de pé, aprendendo a cada dia com esta situação ímpar.

Fonte: www.ubeblogs.net

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